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quinta-feira, 10 de junho de 2010

outro sonho

outra noite
o mesmo vento
viajo em você
no banco de trás
rindo assuntos que não dão futuro
mas sempre são o presente
o maior que posso te dar

não passo de um desses assuntos
sinto muito
gosto muito de você

borrifou-se; e da essência, fez-se afeto

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Pizza

Meu vestido já estava amassado e minha bolsa pesava no ombro. Ele me esqueceu. Foi aí que vi o estranho vindo até mim.
Uma mão no bolso, a outra segurando o cachimbo. O cabelo meio bagunçado, assim, pelo vento que batia e fazia frio. Era jovem, mas a barba preguiçosa lhe dava uns anos a mais. Andou até mim e falou "Boa noite". Não havia desejo naquele olhar, tampouco maldade. Tirou um fósforo do bolso pra acender o fogo que apagara e queimou o dedo, desajeitado, rindo largo. Pedimos uma pizza de calabresa e um suco de laranja. Ele apagou o cachimbo e o suco chegou. Encheu o copo mas não bebeu, e ficou me contando quem era, que era estranho conversar com outra estranha mas tinha gostado de mim. Falei que gostei dele, também, com um pouco de descaso proposital, mas pra ele não fazia diferença. Eu adorei. Principalmente o bom humor.
Chegou a pizza, muito cheirosa, mas comi pouco, com vergonha. Ele comeu o resto inteiro, me perguntando ao final de cada pedaço se poderia pegar mais um. Me disse que eu comia muito pouco. Aí pediu uma cerveja. Bebeu sem pressa. Conversamos sobre música. Aí pediu outra. Descobri, entre uma conversa e outra, que estudamos juntos em algum ano distante, na escola. Até lembrei um pouco dele. A outra cerveja acabou.
Me deu boa noite. Acendeu o cachimbo de novo, levantou e foi andando. Dobrou uma esquina escura. Fiquei com vontade de uma pizza e de um beijo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O rumo que tomei... ?

Não que você tenha dito isso, mas nunca seguimos o mesmo rumo. O rumo que tomei é o meu. Não é pra lugar nenhum nem em objetivo nenhum que não seja eu mesmo. Às vezes me desvirtuo do caminho - falando dele, por exemplo. Não sei pra onde vou, só sei que é pra onde quero estar. Esse é o caminho mais difícil que pude seguir e provavelmente me arrependerei, mas nunca antes de chegar lá. E a única coisa que boto por cima de outras é eu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Run, rabbit, run

Respirei fundo, e quando me perguntou se eu sabia o que estava fazendo, balancei. Mas sabia: estava nascendo.
E mal nasci e já conheci a dor de existir.
E a dor de ser, mesmo não sendo, um ser.
E a dor de amar, sendo amado, até amanhã.
Então soube dos cheiros, das palavras e da vontade de meu coração que gritava pra pular no teu.
Porque asas batem e corações cantam, e nosso dueto foi o mais lindo que mortais já ouviram. Cada nota era sem fim, e nos tornávamos apenas um, matando a saudade de uma vida inteira.
E só desejo teu beijo... me banhando em teu suor na noite quente e atravessada, tirando meu sono que foi adiado pro resto da vida. E aí sonharei com você.

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